domingo, 8 de abril de 2012

O Surgimento da Sociologia - aula primeiro ano



A sociologia surge enquanto disciplina e ciência no séc. XIX, no entanto, o contexto de seu nascimento está relacionado às transformações que estavam ocorrendo na Europa desde o séc.XVI. A revolução industrial e a revolução francesa configuram o marco do surgimento da sociologia, mas devemos ressaltar que tais revoluções apenas foram possíveis com o chamado renascimento.

Fatores que influenciaram o surgimento da sociologia

Consolidação das idéias

  • Renascimento: é o período em que passa a se questionar a forma de organização do sistema feudal, ao contrário do feudalismo, o renascimento está baseado na razão, no antropocentrismo (o homem é o centro do universo), consequentemente, o pensamento da igreja que era preponderante para a manutenção da ordem e do regime feudal passa a ser questionado, o comércio passa a se desenvolver e assim, a economia amonetária dá lugar a circulação de dinheiro e ao lucro. No sistema feudal as explicações acerca da vida dos europeus estavam baseadas na tradição, em mitos ou na religião. Isso quer dizer que naquela época não existia uma ciência no modelo que conhecemos hoje.
investigação de uma sociedade com base no conhecimento científico a partir da razão, da racionalidade, além disso, instigou pensadores a tentarem compreender as transformações que estavam ocorrendo. Francis Bacon (filósofo 1561-1626) parte da idéia que a teologia deveria ser substituída pelo método da dúvida no estudo da sociedade. Para este, o método de conhecimento deveria estar baseado na observação e na experimentação. p.18


Revolução Industrial e Revolução Francesa: Consolidação do Capitalismo e Surgimento da Sociologia.
A sociologia surge com o objetivo de explicar as mudanças sociais, “as situações sociais radicalmente novas” ocorridas com a desagregação da sociedade feudal e o advento do capitalismo.

Revolução Industrial: representou não apenas a introdução de máquinas na constituição do processo de produção, mas também a apropriação das terras, das ferramentas, sob o controle do empresário capitalista, desse modo, existia de um lado, uma massa de despossuídos transformados em trabalhadores e, de outro, uma pequena parcela de pessoas detentoras dos meios de produção. “Cada avanço com relação à consolidação da sociedade capitalista representava a desintegração, o solapamento de costumes e instituições até então existentes e a introdução de novas formas de organizar a vida social.”  
As primeiras reflexões mais sistemáticas sobre a sociedade só começaram a ser formuladas  no momento em que ela se diversificou como nunca anteriormente, com a Revolução Industrial, iniciada por volta de 1750 na Inglaterra. Ela deu origem a novos grupos sociais – a burguesia e o proletariado – e à formação de um novo tipo de estrutura social: a sociedade capitalista.
A revolução industrial introduziu a máquina a vapor no processo produtivo, reorganizou o trabalho manufatureiro de forma radical, destruiu o artesão independente, introduziu a fábrica moderna e criou uma nova classe de trabalhadores: o proletariado, ou classe operária, concentrado sobretudo em grandes unidades industriais.
Esse processo provocou muitas mudanças, como o crescimento das cidades, a concentração de centenas de milhares de trabalhadores em bairros industriais e a degradação das condições de vida do proletariado. Até o fim do século XIX, as jornadas de trabalho na indústria européia giravam em torno de catorze ou dezesseis horas por dia. Não havia descanso remunerado, como hoje, férias ou aposentadoria.
A implementação das máquinas não foi um processo calmo, pelo contrário, as condições sob as quais os pobres, especialmente, a classe operária, estava submetida trouxeram contestações contra aquela forma de organização social, a destruição de máquinas, atos de sabotagem, destruição de oficinas, crimes, foram algumas das formas de resistência contra o modo de produção capitalista e a forma de pensar daquela sociedade, mais tarde, esses atos “evoluíram” para a constituição de associações e sindicatos e constituindo uma classe, a operária, contra outra, a burguesa ou dos empresários. (Martins, 1994).
Revolução Francesa: trouxe significativas transformações naquela sociedade, tais mudanças estavam relacionadas à revolução industrial. O objetivo desta revolução era derrubar o “Antigo Regime”, acabar com a monarquia, criar as possibilidades para o crescimento da sociedade capitalista, os burgueses estavam na liderança desta revolução e utilizaram os pobres e operários para conseguir vencer o grupo que defendia o modo de produção feudal e a monarquia. O panorama da sociedade francesa foi de suma importância para a constituição da sociologia enquanto ciência. 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A sociologia de Karl Marx - reformulada -2ºano

 O Alemão, filósofo e economista Karl Marx (1818-1883) é um dos principais autores que contribuiu para o surgimento da sociologia. Ele nasceu e viveu no período em que o capitalismo estava se consolidando, presenciou as intensas transformações sociais, econômicas, e políticas que estavam ocorrendo na Europa. Karl Marx se preocupou não apenas em compreender a forma de organização da produção que estava se consolidando no século XIX, sistema capitalista, mas também construiu duras críticas a esse sistema. Karl Marx, ao lado do seu companheiro de estudos Friederic Engels realizou diversas pesquisas sobre a política e, principalmente, o trabalho no século XIX. Contribuiu também para o desenvolvimento do método das ciências sociais. Para estes autores o método utilizado para a análise da sociedade deve partir dos indivíduos reais, das condições materiais de vida, nas quais as mudanças podem ocorrer, e que podem ser analisadas de forma empírica. Assim, o método utilizado por Marx é chamado de materialismo histórico (a análise da sociedade deve partir das condições materiais de existência dos indivíduos, isto é, a forma com os indivíduos produzem influenciará na forma de organização da sociedade). 
No momento em que os homens produzem seus próprios meios de existência eles produzem a si mesmos. Isso quer dizer que a forma como os indivíduos produzem e se relacionam com os meios de produção irão influenciar na forma como os indivíduos vivem. Três elementos são importantes na produção e no desenvolvimento da história: as forças produtivas (trabalho), a divisão do trabalho e o intercâmbio interno e externo. As forças produtivas referem-se a relação entre os meios de produção (técnicas utilizadas no processo de trabalho, ferramentas, matéria prima, capitais e equipamentos) e as relações de produção que é a forma como o homem atua sobre a natureza e entre os outros homens, a forma como essa relação se dá, juntamente com as forças produtivas (meios de produção + trabalho humano), determina o modo de produção de um momento histórico.
O conceito de modo de produção ocupa um lugar central na teoria de Marx. Marx identifica o modo de produção com a estrutura (infraestrutura) da sociedade, que é o conjunto das relações de produção com as forças produtivas. É sobre essa base, diz Marx, que se ergue a cultura, a organização política e as ideologias (inclusive as religiões da sociedade). Existem, assim, dois níveis na concepção marxista da sociedade: o da infraestrutura (relações de produção e forças produtivas) e o da superestrutura (Estado, Igreja, Cultura, etc). Na produção social da própria vida, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade. Essas relações de produção correspondem a uma determinada etapa do desenvolvimento das forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade. Essa estrutura é a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e espiritual. Ou seja, não é a consciência que determina o seu ser, mas, ao contrario, é o seu ser social que determina a consciência.
Marx ao analisar o sistema capitalista de produção realiza também uma crítica a esse sistema econômico. O que caracteriza o sistema capitalista de produção são as relações assalariadas de produção (o trabalho assalariado) e a propriedade privada dos meios de produção (fábricas, minas, terras) e de circulação das riquezas (casas comerciais, bancos, etc.). Neste sistema, há uma divisão entre os detentores dos meios de produção (burguesia) e os trabalhadores que detém apenas sua força de trabalho. É no contexto dessa divisão, que surgem duas principais classes que se opõem: a burguesia e o proletariado. A burguesia passou a ter acesso, a partir da atividade comercial à posse dos meios de produção, enriqueceu e também passou a controlar o poder do Estado. Com esse acesso ao poder do aparelho estatal, a burguesia foi capaz de usar sua influencia sobre ele para criar leis que protegessem a propriedade privada, condição indispensável para a sua sobrevivência, além de usar o Estado para difundir sua ideologia de classe, isto é, os seus valores de interpretação do mundo. Enquanto isso, a classe assalariada, os proletários, sem os meios de produção e em desvantagem na capacidade de influencia política na sociedade, transforma-se em parte fundamental no enriquecimento da burguesia, pois oferecia mão-de-obra para as fábricas.
Marx se empenhava em produzir escritos que ajudassem a classe proletária a organizar-se e assim sair de sua condição de alienação. Alienado, segundo Marx, é o homem que não tem controle sobre o seu próprio trabalho, em termos de tempo e em termos daquilo que é produzido, coisa que o capitalismo faz em larga escala, pois o tempo do trabalhador e o produto (a mercadoria) pertencem à burguesia, bem como a maior parte da riqueza gerada pelo trabalho.
O objetivo do sistema capitalista, como modo de produção, é justamente a ampliação e a acumulação de riquezas nas mãos dos proprietários dos meios de produção Mas de onde sai essa riqueza? Marx diria que é do trabalho do trabalhador. Veja um exemplo. Quantos sofás por mês um trabalhador pode fazer? Vamos imaginar que sejam 15 sofás, os quais multiplicados a um preço de venda de R$ 300,00 daria o total de R$ 4.500,00. E quanto ganha um trabalhador numa fábrica? Imagine que seja uns R$ 1.000,00, para sermos mais ou menos generosos. Bem, os R$ 4.500,00 da venda dos sofás, menos o valor do salário do trabalhador, menos a matéria-prima e impostos (imaginemos R$ 1.000,00) resulta na acumulação de R$ 2.500,00 para o dono da fábrica. Esse lucro Marx chama de mais-valia, pois é um excedente que sai da força de cada trabalhador. Veja, se os meios de produção pertencessem a ele, o seu salário seria de R$ 3.500,00 e não apenas R$ 1.000,00. Marx também via o homem como aquele que pode transformar a sociedade fazendo sua história, mas enfatiza que nem sempre ele o faz como deseja, pois as heranças da estrutura social influenciam-no. Assim sendo, não é unicamente o homem quem faz a história da sociedade, pois a história da sociedade também constrói o homem, numa relação recíproca. Em outras palavras, as condições em que se encontram a sociedade vão dizer até que ponto o homem pode construir a sua história.

sábado, 6 de novembro de 2010

Mas existe racismo

Racismo Mas o que diz quem está na linha de frente do combate à chamada discriminação racial? Para a senadora Benedita da Silva, negra de 56 anos, eleita vice-governadora do Rio de Janeiro, "a pesquisa pode ser comparada a uma lei. Se a lei existe, mas não há vontade política de usá-la como elemento promocional de igualdade entre os seres humanos, ela acaba no arquivo" diz. "Antes de mais nada, é preciso também acabar com essa história de minorias e diferenças. Minoria é uma definição ideológica. Eu não quero ser diferente e essa ideologia não foi criada por mim." Esse pensamento não é compartilhado por Francisco Oliveira, editor da revista Raça, que não pretende mudar o nome da publicação mesmo sabendo que não existem raças na espécie humana. "Pode estar comprovado cientificamente, mas no âmbito cultural não muda nada. A constatação não extrapola imediatamente para o comportamento social", disse. Para o rabino Henry Sobel, da Congregação Israelita Paulista, os resultados dessa pesquisa "podem reformular os ensinamentos teológicos, já que as diferenças raciais fazem parte do conceito de criação de Deus".

Não existem raças

A sociologia, a antropologia e a história, dentre outras ciências sociais, já revelam há tempos que não existem raças, isto é, que não há subespécies entre os humanos que se diferencia por terem qualidades diferenciadas (alguns aptos para o trabalho, outros para o estudo), desde mais meados da década de 1990  surgem várias pesquisas genéticas que  revelam o que as ciências sociais já pronunciavam "não existem raças" no que se refere ao ser humano. Veja abaixo algumas partes da entrevista da Revista Isto é de 1998

Não existem raças. 

Diferenças insignificantes Para chegar a esta afirmação, uma equipe de cinco cientistas estudou e comparou mais de oito mil amostras genéticas colhidas aleatoriamente de pessoas de todo o mundo. Segundo Alan Templeton, biólogo americano que dirigiu a pesquisa, diferentemente de todas as outras espécies de mamíferos, não há raças entre os humanos porque "as diferenças genéticas entre grupos das mais distintas etnias são insignificantes". Para que o conceito de raça tivesse validade científica, "essas diferenças teriam de ser muito maiores". Ou seja, não importa a cor da pele, as feições do rosto, a estatura ou mesmo a origem geográfica de qualquer ser humano (traços que distinguem culturalmente as etnias): geneticamente, somos todos muito semelhantes. Curiosamente, foi no Brasil que Templeton tomou consciência de que o conceito de raças poderia ser puramente cultural. "Em minha primeira visita ao Brasil em 1976, eu descobri que a classificação racial usada pelos brasileiros não era a mesma usada nos Estados Unidos; que a mesma pessoa poderia ser classificada de forma bem diferente em dois países", disse ele a ISTOÉ. "Aquela experiência me ensinou então que o conceito de raça não é necessariamente biológico." Templeton está voltando nesta segunda-feira 16 pela terceira vez ao Brasil, onde vai conhecer de perto uma pesquisa que está definindo o retrato genético da população brasileira.

O trabalho realizado pela equipe de Templeton se somou a pesquisas anteriores que já vinham apontando essa unidade na espécie humana. "Infelizmente, a noção popular de raça esteve sempre tão vinculada erroneamente à biologia que será difícil derrubar essa crença", afirmou o cientista americano. "Mas acho que uma das formas mais úteis é justamente o cruzamento cultural que percebi no Brasil." Ele e sua equipe passaram os últimos dois anos usando as mais modernas técnicas da biologia molecular para analisar o chamado DNA mitocondrial (material genético herdado por todos nós, geração após geração, apenas pelo lado da mãe). Bem como o cromossomo Y do código genético (herdado apenas pelo lado do pai) e o DNA contido no núcleo de todas as células do organismo (herdado dos dois sexos). Esses dados, colhidos de doadores anônimos das mais diversas partes do globo, inclusive de índios brasileiros, foram então inseridos em computadores programados para análises criteriosas.

Tese brasileira Os resultados mostraram que, quando há diferença genética significativa, pelo menos 85% dela acontece entre indivíduos dentro de um mesmo grupo étnico (como os asiáticos, por exemplo). As diferenças entre etnias (brancos europeus e negros africanos, por exemplo), que seriam a base para haver raças distintas, são de apenas 15% ou menos que isso. "Um índice muito abaixo do nível usado para diferenciar raças dentro de qualquer espécie animal", explica Templeton. Isso quer dizer que dois brancos europeus diferem mais entre si do que em conjunto diferem de um africano. "Portanto, os humanos são a mais homogênea espécie que conhecemos", diz ele. A capa da ISTOÉ é uma representação dessa homogeneidade: uma jovem loira de olhos verdes é resultado do cruzamento das mais diversas etnias, que remonta aos mais longíquos antepassados humanos surgidos na África. Como lembra o médico geneticista brasileiro Sérgio Danilo Pena – que há anos é um dos cientistas que defendem a tese agora comprovada por Templeton –, "a nossa igualdade está justamente no fato de que todos somos igualmente diferentes".

Racismo, preconceito racial e discriminação

  Este texto foi postado para que os alunos possam diferenciar racismo, preconceito racial e discriminação racial

BREVES CONSIDERAÇÕES
SOBRE RACISMO E INTOLERÂNCIA RACIAL.
A LEI Nº 7.716/89
                                                                                              Ricardo Antonio Andreucci *
 
 
1. Racismo e discriminação ou preconceito racial – A intolerância racial.
 
É muito comum se estabelecer confusão entre racismo e discriminação ou preconceito racial.
O termo racismo geralmente expressa o conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia entre as raças, entre as etnias, ou ainda uma atitude de hostilidade em relação a determinadas categorias de pessoas. Pode ser classificado como um fenômeno cultural, praticamente inseparável da história humana.
A discriminação racial, por seu turno, expressa a quebra do princípio da igualdade, como distinção, exclusão, restrição ou preferências, motivado por raça, cor, sexo, idade, trabalho, credo religioso ou convicções políticas.
Já o preconceito racial indica opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico, ou ainda a atitude, sentimento ou parecer insensato, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio, conduzindo geralmente à intolerância.
Portanto, em regra, o racismo ou o preconceito racial é que levam à discriminação e à intolerância racial.
E nesse aspecto, existe uma preocupação mundial no combate ao racismo e à intolerância racial, que se manifesta através da realização de múltiplos eventos, nacionais e internacionais, com a participação de entidades governamentais e não governamentais, buscando a união dos povos contra toda forma de racismo, intolerância e discriminação, não apenas como caminho de preservação e respeito aos direitos humanos mais básicos, mas também como medida de minimização e erradicação de revoltas, guerras e conflitos sociais.

Este texto foi retirado do seguinte link: http://www.revistapersona.com.ar/Persona70/70Andreucci.htm